EXTRATO DE: O DESPERTAR DO UNIVERSO CONSCIENTE

UM MANIFESTO PARA O FUTURO DA HUMANIDADE

Autor: Marcelo Gleiser

Ed. RECORD – 2024/2024/2024

A vida é criação e destruição.

Como nos reinventar transformando a nossa relação com o planeta? (...) assustar as pessoas descrevendo um futuro terrível não está dando certo.

“Esse problema não é meu.”

(...) sugiro um realinhamento da humanidade com o mundo natural.

Essa é uma revolução sem soldados, onde a humanidade, como um todo, luta pela mesma causa – a sobrevivência do nosso projeto de civilização e da coletividade da vida da qual somos parte.

Copérnico: Como somos inocentes acreditando que o que vemos com nossos olhos é a verdade sobre o mundo!

Na visão copernicana [somos] apenas um mundo rochoso em órbita em torno de uma estrela ordinária na imensidão do universo.

A curiosidade inspira a imaginação e eleva a vida para além da trivialidade da rotina diária.

As coisas “cheias de deuses” representavam intuição de Tales de Mileto  sobre as forças que se ocultavam no coração da matéria e que, de alguma forma, eram responsáveis por essas diferentes propriedades.

[Já] os primeiros pré-socráticos acreditavam que tudo o que existe é proveniente de um único tipo de matéria, a essência material de todas as coisas.

[Basicamente o Marcelo não trata especificamente das consequências efetivas. E como se deu, como se dá o aumento da população e como é que isso afeta o planeta. Não, ele não trata disso, ele trata um momento presente. Basicamente é isso. E aí vai colocar que a humanidade precisa fazer alguma coisa, precisa mudar de comportamento. Então, basicamente é isso que ele trata no livro.]

Que tipo de verdade derradeira podemos atribuir a uma realidade que pode ser alterada após bebermos algumas taças de vinho ou ingerirmos plantas alucinógenas?

[Tudo] é formado por átomos emaranhados.

Mary-Jane Rubenstein: dados um tempo infinito, matéria infinita e um espaço infinito, qualquer tipo de configuração que possa existir existirá.

Os ciclos de agregação e dispersão da matéria seguem ritmos naturais. Átomos que se combinam para formar objetos e mundos e que na eternidade do tempo se separam e eventualmente se reagrupam para formar novos objetos  e mundos. A Terra teve a sua origem e “quando chegar o tempo certo”, terminará os seus dias dispersando os seus átomos pelo espaço.

O campo é uma manifestação no espaço de um distúrbio físico. Considere um ímã como estes que usamos para decorar a geladeira. Quando nos aproximarmos da porta da geladeira, sentimos uma atração entre os 2, mesmo que o imã não encoste o metal da porta. Quanto mais aproximamos o imã da geladeira, mais forte é essa atração.

Mas os Campos não são as medidas que obtemos com os instrumentos; São a interpretação que damos aos dados que obtemos. Essa distinção é essencial.

A gravidade, mesmo que atenuada nas grandes distâncias cósmicas, conecta tudo que existe atuando por todo o espaço, esculpindo galáxias e sistemas solares.

A atração gravitacional é causada pela curvatura do espaço em torno de um objeto com massa, uma manifestação do campo gravitacional.

Existe uma complementaridade, uma dualidade que torna o magnetismo e a eletricidade inseparáveis, o campo magnético.

[Para os físicos existem 4 forças fundamentais na natureza.] Mas não podemos ter certeza de que existem apenas essas 4 forças. E se um novo instrumento nos revelar a existência de uma quinta força ou uma sexta?

O que podemos e devemos fazer é celebrar as nossas incríveis descobertas sem tentar transformar a ciência numa espécie de oráculo de verdades definitivas sobre a realidade. A ciência é uma construção humana, uma narrativa sobre o mundo que se auto corrige, que está sempre evoluindo.

Não pode haver uma teoria de tudo, mesmo se limitada uma teoria que unifica o conhecimento da física fundamental. No máximo, podemos construir modelos de unificação temporários que descrevem o que podemos ver da natureza naquele momento.

[Para entender o Universo] Existem 2 modelos conhecidos e aceitos pela comunidade científica: modelo padrão da física de partículas e o modelo padrão da cosmologia.

Modelos são descrições incompletas da realidade física, simplificações que construímos para codificar o que sabemos.

O iluminismo, movimento intelectual do século 18, preconizava a razão como o melhor instrumento para se chegar à verdade.

O Sol é apenas uma Estrela ordinária, localizada a cerca de 27.000 anos luz de distância do centro da nossa galáxia, a via Láctea, a própria via Láctea. Contém em torno de 200 bilhões de estrelas, a maioria com planetas orbitando a sua volta. Mesmo que não tenhamos um número preciso, podemos estimar com segurança que apenas na nossa galáxia, dentre planetas e luas, deve existir ao menos um trilhão de mundos.

Em 1924, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble mostrou que a via Láctea é apenas uma dentre bilhões de outras galáxias no universo.

A inferência estatística é uma ferramenta muito poderosa, mas como diz o nome, é estatística.

Werner Heisenberg: O que observamos não é a natureza em si, mas a natureza exposta aos nossos métodos de questionamento.

O que podemos perceber da realidade é uma ínfima fração do que de fato existe. Como alertou o grande escritor argentino Jorge Luis Borges em seu conto do rigor na ciência, nenhum mapa pode representar perfeitamente um território, a menos que seja do tamanho do próprio território. O que torna o mapa inútil. O poder da ciência não está em representar a natureza como ela é, mas sim em descrevê-la como a experienciamos.

[forças de atração e repulsão]

O que é magnífico na ciência não é que ela nos permite saber tudo, mas que nos permite saber tanto.

[Somos absolutamente irrelevantes no Universo.]

Muito há a aprender com os ensinamentos daqueles que precederam a nossa civilização agro industrial. As culturas indígenas que por milhares de anos consideraram a Terra um lugar sagrado que deve ser venerado e protegido a todo custo. [!!!!!!!]

A Terra não pertence às pessoas; As pessoas pertencem à Terra.

Quando a sua família é o mundo, você nunca está sozinho. Qualquer que seja o tamanho, todo o grupo de humanos precisa de estruturas legais. Com o crescimento do número de habitantes nessas comunidades Agrárias, inevitavelmente dos conflitos entre eles, foram criadas forças de controle. (...) Para assegurar o controle, o líder tinha que ter uma autoridade acima de qualquer disputa pelo poder, muitas vezes sancionada pelos deuses.

Na visão colonialista, ser civilizado era ser europeu e “civilizar” alguém significava escolher entre a conversão ao cristianismo ou a morte. O grande diálogo, usando a expressão inspiradora do padre católico e teólogo Thomas Berry, não era mais entre os homens e a natureza, mas entre os homens e um Deus ausente.

A gravidade conecta tudo o que existe, mesmo que essas conexões se enfraqueçam com o quadrado da distância. Você e andrômeda estão conectados gravitacionalmente, mas o efeito é tão fraco que pode ser desprezado.

Tudo que não é deduzido dos fenômenos não tem lugar na filosofia experimental.

O atomismo de Epicuro diz que objetos só podem influenciar outros por meio de colisões.

Mais tarde, Newton atribui o esplendor da ordem cósmica “a uma entidade inteligente e poderosa”, argumentando que “a diversidade das coisas não pode surgir de uma causa metafísica sem propósito, que precisa ser a mesma sempre e em todos os lugares. A diversidade das coisas criadas, cada uma em seu momento preciso, só pode ter emergido a partir das ideias e da intenção de um ser que necessariamente existe.

O teísmo de Newton - um Deus omnipresente - cedeu lugar ao deísmo, um Deus que criou o universo e suas leis, mas que não interfere na realidade.

O iluminismo, apesar de ter inspirado grandes descobertas e inventividade, foi também a era que amplificou a falência moral da sociedade ocidental, transformando a razão em uma arma de destruição ambiental.

Tudo o que fazemos em ciência parte da nossa experiência de “estar no mundo”. Antes de teorizar, vemos, ouvimos e sentimos teorias, sempre vêm de observações.

“Nós e eles” sempre foi sobre nós. O medo do outro é um espelho do medo que temos de nós mesmos, do que seres humanos são capazes de fazer com outros seres humanos.

A história de um planeta com vida e a história da vida neste planeta são inseparáveis. (...) A vida migra de acordo com o clima que, por sua vez, o afeta. A vida transforma o planeta e o planeta transforma a vida. A história da vida num planeta e a história  de um planeta com vida, são a mesma, entrelaçadas através de eras que se estendem por bilhões de anos, se perdendo no passado inescrutável.

Na ausência de uma definição geral, a NASA adota uma definição operacional segundo a qual “a vida é um sistema de reações químicas autossuficiente, capaz de se reproduzir e que segue o processo darwiniano de evolução por seleção natural”.

O conhecimento sobre a origem da vida na Terra é impenetrável.

A teoria da evolução por seleção natural é uma ideia extremamente poderosa e é difícil imaginar que a vida possa existir em qualquer lugar sem seguir as suas regras básicas.

Estrelas que morrem geram novas estrelas. De certa forma, podemos até dizer que as estrelas estão se reproduzindo, dividindo os seus restos com a nova prole. Mesmo assim, eu sei, você sabe que as estrelas não estão vivas.

Nós temos a tendência de generalizar fatos e tirar conclusões apressadas, ignorando qualquer evidência que possa nos contradizer.

Uma diferença essencial é que a reprodução de seres vivos tem uma variabilidade aleatória ausente nos sistemas não vivos. (...) Sendo assim, onde estabelecer a Fronteira entre o vivo e o não vivo, dado que os 2 são inextricavelmente conectados?

Uma floresta é uma totalidade conectada de árvores, fungos, bactérias, arbustos, animais. Insetos e pássaros, cada qual com funções específicas, todas interdependentes. (...) Quanto mais estudamos os ecossistemas, mais entendemos que a vida é uma coletividade de propósitos unificados pelo desejo de existir.

Dentre as várias propriedades geofísicas da Terra que atuam para proteger a vida, podemos citar o movimento das Placas tectônicas, uma única lua com massa relativamente alta e um campo magnético forte o suficiente para desviar raios cósmicos provenientes do Sol, altamente nocivos à vida.

9 passos que a vida precisou dar para evoluir da não vida à vida inteligente: química inorgânica, Química orgânica simples, bioquímica, primeira vida (protocélula), células procariotas, células eucariotas, vida multicelular, vida multicelular complexa, vida inteligente.

A nossa “Eva coletiva “é uma bactéria que viveu em torno de 2 bilhões de anos atrás. A história da vida na Terra nos ensina que todas as formas de vida são conectadas. Dividindo a mesma semente num passado distante.

O Big Bang da biologia ocorreu a 530 milhões de anos atrás.

Não existe um plano que dita o que ocorre na evolução da vida. A nossa existência, por exemplo, não foi premeditada. Se o episódio-chave na longa história da Terra não houvesse ocorrido ou ocorrido de outra forma, a vida teria tomado outro caminho e nós não estaríamos aqui.

Após 60 milhões de anos de mutações e transformações climáticas, surgiu a primeira espécie de hominídeo divergindo dos macacos, eventualmente levando ao surgimento da nossa espécie cerca de 300 mil anos atrás.

Não existe um único caminho para a evolução da vida, não existe uma lei da natureza Que dita que se a vida começa com bactérias, irá necessariamente evoluir até chegar à criaturas humanas. (...) A evolução da vida não é previsível; não segue leis determinísticas como um relógio. A evolução é como um mapa com Fronteiras que nos levam a destinos que não podemos prever. Quando o assunto é vida, o pensamento indutivo é certamente a ferramenta racional errada.

O universo só tem uma história porque estamos aqui para contá-la.

O universo nasceu com o tempo. O espaço também. O tempo marca a expansão cósmica, em que o próprio espaço cresce e a distância entre todos os pontos aumenta.

Em torno de 6 milhões de anos atrás, apareceram na África os primeiros primatas bípedes que caminhavam eretos nossos antepassados.

Apesar das várias diferenças culturais, todas as narrativas de criação do mundo, míticas ou científicas, expressam os mesmos senso humano de maravilhamento com o mistério da nossa existência, com o fato de pertencermos a uma realidade que transcende a nossa compreensão.

Matéria viva é matéria “animada”, matéria com propósito, o propósito de se manter viva.

Quando existe, a vida luta para continuar a existir. A vida é matéria com intencionalidade.

Somos amantes e assassinos, construtores e destruidores, acreditando estarmos acima da natureza, donos do planeta e de seus recursos.

Bom, o princípio fundamental dessa visão biocentrismo é que todo o planeta que abriga a vida é sagrado. E o que é sagrado precisa ser reverenciado e protegido.

Infelizmente, regras Morais não são aceitas de forma universal por culturas diversas.

Devemos nos reconectar com o planeta e a sua Biosfera, com a humildade e o respeito do devoto, não com a espada e o ódio do carrasco. Este é um imperativo moral de nossa era.

Thich hat Hanh: “Se você é um poeta, verá claramente que existe uma nuvem flutuando sobre essa folha de papel. Sem a nuvem, não há chuva; sem chuva, as árvores não crescem; e sem as árvores, não podemos fazer papel... Portanto, podemos dizer que a nuvem e o papel Intersão... Tudo - o espaço, o tempo, a Terra, a chuva, os minérios no solo, o brilho do Sol, a nuvem, o rio, o calor e mesmo a consciência - está nessa folha de papel. Tudo coexiste com ela. Para ser é preciso Interser. Você não pode ser sozinho; você precisa Interser com todas as outras coisas. Mesmo que tão fina, essa folha de papel contém tudo o que existe no universo.

Bom, infelizmente, como deveria estar claro hoje, a ganância material que alimenta esse crescimento, a mentalidade do sempre querer mais, é incompatível com o planeta generoso, mas limitado em seus recursos.

O que precisamos agora é de uma nova consciência planetária que se reflete nas escolhas que fazemos: como comemos, como usamos de energia e água, como nos relacionamos com as pessoas e com os animais, como nos posicionamos em relação ao planeta.

As origens descem, usam, tem raízes que se estendem à Monetização da Terra quando alguém decidiu que um pedaço de Terra tem valor financeiro, criando o conceito de propriedade? (...) No máximo podemos nos considerar guardiões temporários da Terra, jamais seus donos.

Como cultivar o espírito numa cultura dominada pela posse, que valoriza coisas antes de emoções, que usa uma jóia cara para representar o amor?

Devemos expandir o sentido da palavra espírito, dando-lhe um significado não tradicional. Sua origem vem do latim inspiraria. Que significa respirar daqui. Vemos que o que queremos representar com a palavra espírito é aquilo que nos inspira, que nos Infra com balões como balon, para que possamos explorar novas terras e vivenciarem experiências que possam expandir nossa capacidade de compreensão. (...) A espiritualidade secular é não denominativa, descompromissada da fé em crenças sobrenaturais, em Almas, em deuses e espíritos imortais. Ela não critica os que optam por essa fé. Pois considera a arrogância uma fraqueza humana decorrente do apego ao material.

Algumas pessoas se conectam com o sublime por meio de preces tradicionais, exploram Montanhas, tocam um instrumento ou dançam midtown, criam obras de arte ou escrevem poemas, praticam artes marciais, usam psicodélicos para expandir mente e coração ou. Se sentam em silêncio em seus quartos, buscando um encontro com o que vai além do que chamamos de vida normal.

Nenhuma pessoa que corta milhares de acres de uma mata virgem pode manter uma conexão espiritual com a Terra e com a vida.[!!!!!]

Sem o comprometimento com a preservação da Terra e da vida, sem a compreensão de que pertencemos ao mundo e não o mundo a nós, sem uma profunda convicção de que a humanidade pode mudar coletivamente, a ciência continuará a ser usada principalmente para servir a grupos de interesse que visam expandir o seu controle sobre o ambiente natural.

Todo indivíduo tem um papel a cumprir, alinhando ações segundo 3 princípios:

·         O princípio do menos para garantir sustentabilidade.

·         O princípio do mais para nos aproximarmos do mundo natural.

·         O princípio da consciência na compra e no consumo de produtos e bens.

 

A realização plena da condição humana só se realizará quando juntos, como uma única espécie, abraçarmos a coletividade da vida como um todo. Esse é um imperativo moral de nossa era. Essa é a nossa missão mais sagrada.

Bons modelos são os mapas de um território. Eles simplificam para serem úteis.

[Regressão ao infinito: o que vem antes do antes....]